Capital paulista registrou cerca de 188 mil m² de absorção líquida no período e se destaca em cenário regional marcado por diferentes velocidades de recuperação do mercado corporativo
O mercado de escritórios corporativos da América Latina segue em recuperação, mas em ritmos bastante diferentes entre as principais cidades da região. Dados da Colliers mostram que São Paulo registrou aproximadamente 188 mil m² de absorção líquida de imóveis Classe A+ e A no segundo trimestre de 2026, o maior volume entre os mercados latino-americanos analisados no levantamento regional da companhia.
O resultado coloca a capital paulista à frente de mercados como Cidade do México, que registrou cerca de 105 mil m² de absorção líquida, Rio de Janeiro, com aproximadamente 56 mil m², Lima, com 27 mil m², Monterrey, com 26 mil m², e Bogotá, com pouco mais de 20 mil m².
O desempenho ocorre mesmo em um cenário no qual São Paulo ainda possui 16% de vacância em imóveis corporativos Classe A+ e A. A combinação entre espaço disponível e atividade elevada de ocupação mostra um mercado que segue absorvendo novos empreendimentos enquanto empresas continuam movimentando suas operações na cidade.
A comparação regional revela, porém, que a recuperação dos escritórios corporativos não acontece de forma uniforme. Bogotá encerrou o período com vacância de aproximadamente 5,9%, uma das menores entre os mercados analisados. Lima registrou 8,6%, enquanto Santiago apresentou 10,1% e Buenos Aires, cerca de 14%.
Na outra ponta, mercados como Cidade do México, com vacância superior a 20%, San José, com quase 22%, e Rio de Janeiro, com aproximadamente 19%, ainda apresentam maior disponibilidade de espaços.
Para a Colliers, essa diferença reflete não apenas o ritmo de retomada da ocupação após as mudanças provocadas pelo trabalho híbrido, mas também fatores como volume de novas entregas, perfil das empresas instaladas em cada cidade, crescimento econômico e disponibilidade de edifícios modernos.
“Quando olhamos para a América Latina, percebemos que não existe uma única trajetória para o mercado de escritórios. Algumas cidades já operam com disponibilidade bastante limitada, enquanto outras ainda possuem espaço relevante para absorção. São Paulo se destaca porque consegue combinar escala, novas entregas e uma atividade de ocupação elevada, o que mostra que as empresas continuam tomando decisões imobiliárias importantes na cidade”, afirma Ricardo Betancourt, CEO da Colliers Brasil.
Outro elemento que diferencia os mercados é o preço pedido. No segundo trimestre, os valores médios dos escritórios Classe A+ e A ficaram em aproximadamente US$ 18,72 por m² ao mês em São Paulo. Em Cidade do México e Guadalajara, o valor chegou a cerca de US$ 23, enquanto Bogotá registrou US$ 21,05 e Monterrey, US$ 21.
A diferença de preços e disponibilidade influencia diretamente a estratégia das empresas. Mercados com pouca oferta podem pressionar valores e limitar opções de expansão, enquanto cidades com maior vacância oferecem mais alternativas de negociação, embora localização, qualidade dos edifícios e infraestrutura continuem tendo peso relevante na decisão.
Em São Paulo, esse movimento também está associado à busca por imóveis mais modernos e eficientes. A Colliers identifica uma tendência de migração para edifícios de maior qualidade, com certificações, tecnologia e serviços que ajudem as empresas a tornar o escritório mais atrativo em um contexto de trabalho híbrido.
“A discussão deixou de ser apenas quantos metros quadrados uma empresa precisa ocupar. Cada vez mais, a decisão passa por quais espaços conseguem apoiar produtividade, atração de talentos e experiência dos colaboradores. Isso ajuda a explicar por que edifícios de maior qualidade continuam encontrando demanda mesmo em mercados que ainda possuem disponibilidade”, completa Betancourt.