Mercado absorveu 1,73 milhão de m² no primeiro semestre; mercado paulista respondeu por cerca de 56% do volume, aponta Cushman & Wakefield
O mercado de galpões logísticos de alto padrão na América Latina manteve ritmo de expansão no primeiro semestre de 2026, mesmo diante de um cenário econômico marcado por desaceleração do crescimento e diferentes condições monetárias entre os países. A absorção positiva de espaços logísticos alcançou 1,73 milhão de m² na região, alta de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o MarketBeat Industrial S1 2026, da Cushman & Wakefield.
O movimento, no entanto, não acontece de maneira uniforme. São Paulo se consolidou como o principal polo de demanda da região, com 965,7 mil m² de área absorvida no semestre, aproximadamente 56% de toda a absorção registrada nos mercados analisados. O volume representa crescimento de 10% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Para Dennys Andrade, Head de Inteligência de Mercado da Cushman & Wakefield no Brasil, os números mostram que a expansão do mercado logístico está acompanhada por uma maior seletividade dos ocupantes.
“O mercado logístico segue sustentado por uma demanda consistente, mas o movimento atual é cada vez mais seletivo. Localização, eficiência operacional e qualidade dos ativos ganham peso nas decisões de ocupação, especialmente em mercados consolidados como São Paulo. A combinação entre demanda ativa e oferta disponível mais restrita mantém os ativos bem posicionados em evidência”, afirma o especialista.
A concentração da demanda em São Paulo ocorre em um mercado com 15,4 milhões de m² de estoque de alto padrão e taxa de vacância de 3,9%, segundo o levantamento. O preço pedido médio de locação chegou a US$ 6,25/m² por mês, alta de 15,8% na comparação interanual.
A pressão sobre preços não é exclusiva do mercado paulista. Na América Latina, o preço médio pedido de locação alcançou US$ 7,21/m², crescimento de 4,7% em relação ao primeiro semestre de 2025. O movimento está relacionado à combinação de baixa vacância, demanda ativa e oferta limitada de espaços bem localizados.
Demanda cresce, mas oferta acompanha de forma seletiva
Além de São Paulo, outros mercados apresentaram forte expansão da atividade locativa. A Cidade do México absorveu 345 mil m², alta de 27,1% em relação ao primeiro semestre de 2025, enquanto Lima e Bogotá registraram os maiores crescimentos percentuais, de 69,1% e 65,5%, respectivamente.
A oferta também segue em expansão. O estoque de centros logísticos nas principais cidades latino-americanas chegou a 44,3 milhões de m² ao final do primeiro semestre, crescimento de 4,3% em 12 meses. São Paulo e Cidade do México concentram 67,3% desse estoque.
Em São Paulo, há ainda 1,28 milhão de m² em construção, o maior pipeline entre os mercados analisados. O estudo relaciona parte da atividade à demanda de operadores de e-commerce, citando ocupações recentes da Shopee em Guarulhos e do Mercado Livre em Cajamar e na Grande ABC.
Apesar da expansão da oferta, a taxa de vacância média dos principais mercados industriais da América Latina encerrou o semestre em 4,7%, abaixo dos 5,1% registrados no primeiro semestre de 2025. São Paulo apresentou uma das maiores reduções interanuais de vacância entre os mercados analisados, de 5,0 pontos percentuais.
“Os números reforçam a importância de uma expansão calibrada do estoque. São Paulo reúne escala, infraestrutura e uma base diversificada de ocupantes, mas a evolução do mercado passa cada vez mais pela capacidade de entregar espaços adequados às necessidades específicas das empresas e bem conectados aos principais eixos de consumo e distribuição”, complementa Andrade.
