Inteligência Artificial na construção: inovação começa a se fortalecer no segmento

Inteligência Artificial na construção: inovação começa a se fortalecer no segmento

Soluções tecnológicas podem ser introduzidas no setor para aprimorar experiência de construtoras e clientes

Ao fazer a busca “Inteligência Artificial” no Google, aparecem na aba “imagens” inúmeras fotos de robôs performando ações futurísticas. Não é muito diferente do que vem à nossa mente quando pensamos na expressão. O termo inteligência artificial foi criado por John McCarthy em 1956 e, desde então, muitas novidades na área da tecnologia foram surgindo, como a primeira linguagem de computação, Lisp, criada em 1958; em 1959, o primeiro sistema de algoritmos que permitia à máquina aprender novas funções “sozinha”; em 1964 o primeiro chatbot do mundo, batizado de Eliza, e muitas outras inovações que continuaram surgindo ano após ano até os dias atuais.

É claro que Inteligência Artificial não diz respeito apenas a robôs, mas sim a diversas tecnologias que conseguem replicar competências humanas ligadas à inteligência. Uma pesquisa da consultoria McKinsey mostra que empresas têm 50% mais oportunidade de obter lucro, investindo na tecnologia, contanto que já utilizem programas para coletar e processar dados.

Na construção civil, esses investimentos ainda são tímidos: conforme a consultoria IDC, em estudo com parceria da Autodesk, 58% das empresas do setor de construção ainda estão no estágio inicial da jornada para a inovação, ao passo que 28% estariam no meio do processo de transformação. Apenas 13% podem ser consideradas maduras em relação à adoção de novas tecnologias. 

As possibilidades de uso da Inteligência Artificial na construção civil são muitas, mas é possível destacar algumas que já vêm sendo utilizadas no setor. Uma delas é a robotização do canteiro de obras, permitindo que os trabalhadores e empreendedores foquem mais em trabalho mais intelectual e menos operacional. Drones podem ser usados para inspecionar o trabalho e coletar dados  para prever e resolver problemas.

Há ainda a possibilidade de usar a Inteligência Artificial para aperfeiçoar a experiência do cliente. “O consumidor moderno está buscando cada vez mais um melhor atendimento quando compra um produto e, principalmente, um serviço. A tecnologia possibilita meios de atender às solicitações do cliente de forma rápida, automatizada e remota”, explica Jean Ferrari, CEO da FastBuilt, construtech que desenvolve soluções móveis, com foco no fortalecimento do relacionamento entre construtoras e clientes e redução de custos no pós-obra.

A empresa lançou recentemente a NIA, assistente virtual que surge para reduzir o trabalho operacional e o volume de atendimentos na construtora após a entrega do imóvel, fazendo com o que a movimentação de solicitações de parte do cliente seja mais ágil e transparente. “O nosso objetivo com esta inovação é proporcionar autonomia, rapidez e eficiência para que o cliente da construtora possa se guiar sozinho ao surgir uma dúvida com relação a seu imóvel”, explica Jean.

O comprador terá a seu dispor dicas e informações sobre procedimentos, perguntas e respostas e boas práticas para manutenção do imóvel. Com a assistente virtual NIA, a startup aposta em um modelo de gestão que reduz o trabalho operacional e volume de atendimentos na construtora, enquanto torna o fluxo de solicitações do cliente mais transparente e ágil.

Em um estudo realizado pela Terracotta Ventures, ficou constatado que o número de startups com tecnologias voltadas para o setor de construção cresceu 19,5% em relação a 2020. No total são 839 negócios com este perfil no país e 11,4% são de Santa Catarina. A pesquisa ainda aponta que mais da metade das empresas que participaram do estudo (56%) investiriam em Inteligência Artificial se dinheiro não fosse um limitador. “É nítido que o mercado das construtechs está começando a alargar os passos dados na construção civil, trazendo inovações que promovem melhorias tanto nos canteiros de obras quanto no pós-obra, para facilitar a comunicação com o cliente final. O que falta é a grande indústria perder o medo de investir em tecnologia neste setor”, conclui Jean.

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