Vendas de imóveis usados sobem 23,02% na cidade de São Paulo

Vendas de imóveis usados sobem 23,02% na cidade de São Paulo

As medidas mais restritivas da Fase Vermelha do Plano São Paulo parecem não ter impactado negativamente no mercado imobiliário da Capital paulista. Os resultados levantados pela pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECISP) demonstram que o isolamento social não interferiu na venda de casas e apartamentos residenciais usados na cidade de São Paulo, no mês de março. Ao contrário, houve um aumento de 23,02% no volume de imóveis vendidos nesse mês, na comparação com fevereiro.

Curiosamente, uma proporção de 44,35% dos negócios desse período foi feita à vista e outros 45,97% foram financiados por bancos privados. Restou à CAIXA um percentual de financiamento de 4,84% dos negócios ocorridos em março na Capital. O índice é um pouco superior aos 3,23% correspondentes às vendas financiadas diretamente pelos proprietários. E os consórcios responderam por 1,61% do total vendido.

“Isso demonstra que as instituições financeiras – especialmente as privadas – têm visto o mercado imobiliário com bons olhos, acirrando a concorrência por novos clientes e oferecendo condições muito atraentes aos futuros mutuários”, afirmou o presidente do CRECISP, José Augusto Viana Neto. Viana acredita que há uma tendência de crescimento dos negócios até o final do ano, principalmente com a ampliação da cobertura das vacinas, garantindo a retomada gradativa das atividades.

“Os novos clientes não sumiram. Apenas estão buscando condições mais interessantes para negociar, com taxas de juros mais baixas, por exemplo. O grande percentual de negócios à vista também indica que o comprador está preferindo investir no imóvel agora, do que contar com um pagamento parcelado com que talvez tenha dificuldade em arcar futuramente, caso perca seu emprego.

A Zona C da cidade, composta por bairros como Aricanduva e Chácara Santo Antonio, foi que a apresentou o maior percentual de vendas de casas e apartamentos, com 33,05%. Na sequência, vieram as Zonas B (27,41%); A (25,01%); D (13,72%) e a Zona E, com 0,82%.

Mais da metade das vendas de casas e apartamentos (58,06%) ocorridas na Capital em março foi de imóveis cujo valor final médio não ultrapassou R$ 800 mil. Com relação ao valor médio do metro quadrado, 52,17% dos imóveis negociados estavam na faixa de R$ 8 a R$ 9 mil/m².

No mês de março, o perfil das casas e apartamentos foi, na maioria, de padrão médio (76%).

Aluguel sofre queda em março

A tendência de alta nas vendas pode ter respingado no menor número de imóveis alugados em março na comparação com fevereiro. Nesse período, a queda chegou a 21,46%.  Mesmo assim, o acumulado do ano ainda está positivo em 8,97%, demonstrando que o mercado ainda está aquecido.

Uma surpresa nas garantias locatícias foi o percentual de 45% registrado nos depósitos em poupança de três meses de aluguel. O fiador, anteriormente preferência nas locações, ficou com 22,74% dos contratos e o seguro fiança, com 20,48%.

“Na Capital e em cidades maiores, a figura do fiador está se tornando mais rara, pois poucos querem se dispor a avalizar um aluguel e, por outro lado, os inquilinos também não se sentem muito à vontade para pedir a um amigo ou familiar para que assuma esse papel. Por conta disso, o depósito acabou se tornando uma opção mais viável”, comentou o presidente do CRECISP.

O volume de chaves devolvidas em março superou em 51,29% o número de imóveis alugados. Em fevereiro, esse índice tinha chegado apenas a 6,44%, o que indica um aumento de 42,14% nas devoluções. “Ao que tudo indica, a correção do aluguel pelo IGPM levou os inquilinos a não renovarem seus contratos e buscarem imóveis com valores de aluguel mais acessíveis. Os proprietários que não aceitaram negociar, acabaram com suas casas e apartamentos vazios”, ressaltou Viana.

Em fevereiro, o IGPM fechou em 25,71% e em março, o índice subiu ainda mais, chegando a 28,94%.

A inadimplência também cresceu em março na Capital, fechando o mês 20,71% maior que em fevereiro (6,82% contra 5,65% na comparação).

A faixa de preço de locação preferida dos inquilinos foi de imóveis de até R$ 1.500 (59,35% dos novos contratos).

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